A sociedade, de uma maneira geral, valoriza a boa relação familiar. Uma briga entre irmãos causa estranheza em algumas pessoas, porém, é sim um assunto recorrente. Essa rivalidade costuma enlouquecer os pais na infância e adolescência, com o problema podendo se arrastar até a vida adulta. A boa notícia é que, dependendo da forma que for contornada, essas desavenças podem ser construtivas e trazer vantagens para o futuro.

Para se chegar a uma solução, em primeiro lugar é necessário identificar o que realmente provoca ou provocou essa relação conflituosa. Muitas vezes, a questão aparente não é realmente a motivação, que pode estar calçada em outras situações, como o ciúme e o pensamento de que o irmão “roubará” todo o amor de seus pais. Essas brigam também acontecem pela grande convivência entre as partes, o que facilita um desgaste na relação e um conflito de interesses. Essa falta de empatia pode ocorrer, ainda, pelos dois terem personalidades diferentes ou também por ambos não saberem expressar realmente o que desejam.

“Em algum momento, essa importante construção do vínculo se tornou instável e distanciou a relação, provocando a perda da cumplicidade e da intimidade. Claro que não deixa de ser natural que exista uma competição pela atenção dos pais ao longo da infância e da adolescência ou mesmo na fase adulta. Porém, se não for algo controlado, podemos evoluir para um quadro de inveja ou ódio, impossibilitando qualquer convivência. Por isso, é importante que os pais deem atenção ao comportamento dos filhos, já que existe a possibilidade de o conflito se estender para o resto da vida”, afirma William Ferraz, especialista em Inteligência Emocional e diretor do Instituto Ideah.

A falta de harmonia também pode ter como culpa a convivência com adultos que estão sempre brigando e gritando, o que acaba sendo um “estímulo” para esse comportamento. Toda a criança é como uma esponja, que absorve inconscientemente aquilo que está a sua volta, em seu ambiente. Diante disso, os filhos vão absorver a condição psicológica dos pais, que, se não forem emocionalmente saudáveis, irão transferir esse problema aos filhos, que brigarão entre si. Sendo assim, conseguir uma convivência harmônica passa pelo autoconhecimento de todos.

“O princípio da solução do conflito entre irmãos é cada um olhar para si e entender os próprios gatilhos que impedem de estabelecer uma relação próxima. A partir daí, deve haver um uma mudança de atitude. Ao invés de discutir, que se exponha os fatos. Há a necessidade de reconhecer os erros, pedir desculpa e estar sempre disposto a mudar determinadas atitudes. Entender como os próprios gatilhos impedem o estabelecimento de uma relação harmoniosa com seu irmão é um passo muito importante”, afirma William, completando: “a solução passa pela mudança na forma de agir. É necessário conversar sobre o que desencadeou esse problema na relação e sempre se colocar no lugar do outro para entender os comportamentos das pessoas do seu convívio. Este é um dos exercícios que ajudará muito a mudar a maneira que os irmãos se enxergam”.

Outra dica dada pelo especialista é sempre buscar as qualidades do irmão. Ao ressaltar os pontos positivos, os pontos que precisam ser melhorados ficarão em segundo plano, suavizando a relação. Por fim, saber perdoar, libertando as bagagens emocionais que são totalmente desnecessárias na vida, se faz necessário. “Diante de um relacionamento entre irmão é importante estar aberto a tudo que irá receber, ser um bom ouvinte e aceitar a opinião do outro. Isso tudo traz crescimento pessoal e faz com que o outro se sinta mais confortável com a nossa presença”, conclui.

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