O Dia das Crianças está chegando. E, mais uma vez, as lojas de brinquedos ficarão repletas de pais, avós e tios à procura do presente ideal. Apesar de se tratar de uma data voltada somente aos pequenos, a celebração também pode ser importante aos adultos. Diante das responsabilidades, das cobranças e exigências do dia-a-dia, muitas pessoas se esquecem de dar a devida atenção à criança interior, não apreciando os pequenos detalhes da vida e perdendo uma ótima chance de se renovar.

De acordo com o William Ferraz, especialista em Programação Neurolinguística (PNL) e diretor do Instituto de Desenvolvimento Emocional e Aperfeiçoamento Humano (Ideah), todos nós temos uma criança interior e ela sempre tem algo a dizer, porém, é necessário que as pessoas olhem para dentro de si e conversem com esse lado infantil.  “Existem pessoas que tem esse lado criança muito mais desenvolvido, outras tem esse lado muito reprimido e apagado. As pessoas com esse lado mais livre costumam ter mais facilidade para resolver os problemas, são pessoas com mais atitude, mais ação e, principalmente, são mais espontâneas, falando o que pensam. Consequentemente, são mais felizes, guardam menos rancor e se criticam menos. Por isso, é sempre importante parar, pensar e questionar. Como está a sua criança hoje?”, explica.

Segundo o especialista, na análise transacional, que pertence a uma corrente da psicologia humanista e que foi criada pelo psiquiatra Eric Berne, há o estudo do estado do EGO, onde é possível entender as relações e os conflitos. Nele, temos o estado do Ego Pai, Ego Adulto e Ego Criança, que dentro traz a criança livre dentro de si, dominada pelos desejos, sonhos, criatividade e a espontaneidade; e a criança adaptada, que é aquela que perdeu a sua essência. Por exemplo, ao ir em uma festa onde todas as crianças estão brincando e apenas uma está sentada. Ao ser perguntada o porquê de não brincar temos a resposta que o motivo é não querer sujar sua roupa. Fica claro que essa criança deixou de ser ela, o que é muito prejudicial para a vida infantil e também adulta, já que, ao longo do tempo, isso vai acumulando como se fosse uma panela de pressão que uma hora irá explodir, e isso fica caracterizado com o surgimento de doenças, como a depressão ou até uma psicopatologia.

“No caso dos adultos, não podemos nunca esquecer que o nosso lado criança deve ser usado, principalmente nos momentos de diversão e de liberdade. Às vezes é necessário controlá-lo em ambientes como o trabalho, mas o ideal é nunca o trancar, para que depois ele possa ser solto novamente. Mesmo no trabalho, aliás, ele não precisa ser totalmente inibido, apenas equilibrado, já que, em muitos momentos, o lado criança pode ajudar profissionalmente, como, por exemplo, nas questões que exigem criatividade e nas relações com os colegas. Sendo assim, deixar a criança interior livre ajudará a desenvolver a parte adulta de forma mais saudável”, diz William, lembrando que a sétima arte também já tratou sobre o tema, dando uma dica às pessoas. “O filme ‘Duas Vidas’ fala justamente sobre a criança interior. Nele, o ator volta no tempo e se encontra com ele mesmo quando criança. Ele, que a rejeitava, a vê voltando para abrir os seus olhos”, indica o especialista.

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