“A vida é maravilhosa se não se tem medo dela”. Essa famosa frase, imortalizada por Charles Chaplin, resume bem como é a vida daqueles que convivem com esse sentimento. Sentir medo não deixa de ser natural e saudável, já que ajuda a nos proteger de algum tipo de perigo e nos afastar de situações ameaçadoras, porém, em excesso, pode trazer grandes prejuízos à vida. Na entrevista abaixo, o master trainer William Ferraz, fala sobre os problemas causados pelo medo e dá algumas orientações de como superar esse sentimento.

1- Como o medo funciona no nosso organismo e qual sua função na evolução da nossa espécie? Ele ainda é um mecanismo importante?

O medo pode ser visto como uma reação fisiológica de liberação de Adrenalina e Cortisol, que dispara uma resposta fisiológica no organismo e o prepara para um estado de alerta para fuga ou defesa. Este estado de alerta pode ser criado por um estímulo físico ou mental (imaginário ou real). Ele é uma das cinco emoções de base do ser humano (Medo, Raiva, Alegria, Afeto, Tristeza). Medo nada mais é do que um mecanismo de defesa que temos. A intenção positiva do medo é nos proteger do perigo, ou pelo menos a percepção dele do que é perigo.

2- Existe alguma relação entre o medo e o desenvolvimento pessoal do indivíduo? É possível trabalhá-lo de maneira positiva?

Sim, isso vale para tudo o que é desconhecido. Seja internamente ou externamente. A primeira coisa que se precisa para vencer um medo é reconhecer que ele existe e pensar nas causas/consequências, depois entender que ele tem uma intenção positiva que provavelmente esteja ligada a proteção. Algumas pessoas precisam simplesmente ressignificar o medo para entender que ele tem uma intenção positiva de proteção. Outras precisam trabalhar e entender como e porque ele foi construído. De acordo com a Programação Neurolinguística, podemos enfrentar o medo através de várias formas, como, por exemplo, desfazer a “construção mental” distorcida existente e reconstruir uma representação interna mais compatível com a realidade externa. Assim, a pessoa ganha uma nova resposta emocional/fisiológica compatível com a realidade dela.

3- Qual seria limite entre o medo saudável e o patológico?

Vivemos em um mundo cercado de notícias de crimes e violência. Quando entramos em contato com estas notícias podemos imaginar-se passando por tais experiências, e o nosso cérebro não distingue muito bem imaginação de realidade, nossa fisiologia responde ao que foi projetado no interior de nossa mente (nossa imaginação).  Quanto mais nutrirmos nossos pensamentos com boas notícias ou boas informações mais experiências criamos que podem fortalecer um estado de espirito positivo e saudável da mesma forma que quanto mais nutrimos nossos pensamentos com informações pessimistas ou de violência, mais teremos respostas de medo e stress.

4-  Há uma diferença do medo da rejeição, de se comprometer, de mudar aspectos do dia-a-dia, com os medos, por exemplo, de aranhas, altura, entre outros?

Fobia é um medo em tamanho desproporcional criado por um processo de distorção da realidade. Ao receber as informações da realidade através dos canais visual, auditivo e cinestésico, e por uma falha no processamento destas informações, geramos uma representação interna diferente da realidade externa.  Por exemplo, uma pessoa que tem fobia de barata, tem uma representação interna de barata diferente da realidade, e se perguntarmos para ela o tamanho da barata provavelmente ela vai responder que o tamanho da imagem mental é gigante e ai percebemos a distorção existente entre a representação interna e a realidade externa.

5- Como trabalhar esse obstáculo de forma a impedir que ele chegue a atrapalhar a vida?

1-) Quando temos uma fobia devemos inicialmente desfazer a “construção mental” distorcida existente e reconstruir uma representação interna mais compatível com a realidade externa, criando assim uma resposta emocional/fisiológica compatível com a realidade.

2-) Adicionar um recurso que para a pessoa tenha um efeito de combater aquele medo, como Tranquilidade, segurança, Força ou qualquer outro recurso que faça sentido para o cliente combater o medo.

3-) Desassociar a pessoa do evento traumático que fez com que ela criasse o medo, ou desassociar a pessoa de criações mentais pessimistas, permitindo assim que ela crie mentalmente possibilidades melhores com aquela experiência.

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